
Ex-alun@s ETFBA:
História e Memória Vivas!




A história da Escola Técnica Federal da Bahia (ETFBA) começou quando, em 2 de junho de 1910, a Escola de Aprendizes Artífices da Bahia foi instalada, provisoriamente, no Edifício do Centro Operário da Bahia, situado à rua 11 de junho, local próximo ao largo do Relógio de São Pedro, ponto de referência na Avenida Sete de Setembro. A Escola de Aprendizes Artífices da Bahia começou a funcionar oferecendo cursos nas oficinas de alfaiataria, encadernação, ferraria, sapataria e marcenaria. Em 1926 a Escola foi transferida para um novo prédio, situado no Barbalho, local onde se encontra até hoje. A partir de 1930, o estabelecimento de Ensino, dotado de nova estrutura predial, passou a contar com as oficinas de tipografia, pautação, encadernação e fototécnica, na Seção de Artes Gráficas; oficinas de marcenaria, carpintaria e vimaria, na Seção de Trabalhos de Madeira; oficinas de mecânica, fundição e serralheria, na Seção de Trabalhos de Metais e com as oficinas de sapataria, artes decorativas e alfaiataria. Em 1937 a Instituição passou a ser denominada Liceu Industrial de Salvador. Em 1942 passou a ser chamada de Escola Técnica de Salvador, em função da aplicação da Lei nº 4.127/42, que estabelecia as bases de organização da rede federal de estabelecimentos de ensino industrial. Nessa época, a Instituição implantou os seus primeiros cursos técnicos: Curso de Desenho de Arquitetura e Desenho de Máquinas e o Curso de Eletrotécnica. Em 1959, a reforma do ensino industrial, transformou as Escolas Técnicas em autarquias educacionais e, em 1965, com a Lei nº 4.759/65, a Instituição passou a ser denominada de Escola Técnica Federal da Bahia (ETFBA)[1].
Na década de 70 a ETFBA passou a desempenhar um importante papel, no tocante ao desenvolvimento das indústrias baianas. Com o advento da implantação do Centro Industrial de Aratu (CIA), do Polo Petroquímico de Camaçari, bem como a intensificação da exploração de petróleo pela PETROBRAS, novos cursos foram criados, concomitantes com a reestruturação dos existentes. Os alunos chegavam a ser disputados pelas empresas, antes mesmo de se formarem. De acordo com Fartes (1995)[2], assim notabilizou-se a “Escola do Mingau”:
Os desafios trazidos por esse moderno complexo industrial levaram aquela instituição de ensino, notadamente a partir da segunda metade da referida década, a se recompor de modo a que, a antiga "Escola do Mingau" pudesse atender às exigências dos novos processos produtivos.
Ao longo de sua existência, a ETFBA formou os mais competentes profissionais nas áreas de Edificações, Eletrotécnica, Estradas, Geologia, Instrumentação, Mecânica, Metalurgia, Química e Eletrônica, tornando-se importante referência para o mercado de trabalho baiano e brasileiro. Simultaneamente, o currículo escolar adotado pela Instituição possibilitou o ingresso de diversos estudantes nas mais renomadas universidades brasileiras. A formação humana e o espaço de convivência na ETFBA foram elementos propícios para reforçar a luta do povo brasileiro na redemocratização do país. Os estudantes da ETFBA estiveram envolvidos em todos os momentos históricos, transformando a ETFBA num espaço de resistência democrática e de restauração dos princípios de liberdade e igualdade, retirados pelos regimes autoritários. Assim, tornaram-se notáveis a Primeira Revolta do Buzú (1981), a Campanha das DIRETAS JÁ! (1984), o Movimento por eleições diretas para Diretor da ETFBA (1984), Campanha contra os 05 anos de Sarney (1985) e o Movimento Fora Collor (1992). Neste espírito crítico e democrático, os ex-alunos da ETFBA seguiram caminhos diferentes, mas em vários campos colaboraram para a construção de uma Sociedade melhor. Profissionais técnicos ou de nível superior, cantores, atores, lideranças políticas e sociais, professores, juízes, delegados, gestores. Para onde um estudante da ETFBA se encaminhou, a mudança democrática o acompanhou.
[1] Fonte: Wikipédia, 2014.
[2] Fartes, Vera Lúcia Bueno. Modernização tecnológica e formação dos coletivos fabris. Caderno CRH (UFBA). Salvador, n.2, 1995. p.63-75 (Dissertação de Mestrado – FACED).
